sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

22 de Novembro de 2009

Em Memória de Carlos Cardoso

Ano de 2000. Tarde de quarta-feira 22 de Novembro. Carlos Cardoso fechou a edição do dia e enviou por Fax o Metical aos mais de 400 assinantes, sobretudo diplomatas, funcionários e pessoas ligadas aos negócios. O dia caía, por volta das 18 horas entrou no carro com o motorista e dirigiram-se à casa.

Pelo caminho, numa das avenidas de Maputo, duas viaturas Vokswagen, um Citti Golf vermelho e outro 1600 Sedan com vidros fumados, bloquearam o seu automóvel. De acordo com várias notícias, dois homens armados com AK-47 saíram de um dos veículos e atiraram fatalmente contra o jornalista e feriram o seu motorista.

Morria nesse instante supremo um grande homem, o percursor do jornalismo investigativo em Moçambique e porta-voz das minorias empobrecidas e oprimidas que com suor e sacrifício sobrevivem à intempérie a tentar encontrar a sua voz e vez. Foi o maior no jornalismo e um dos melhores entre os filhos de Moçambique, é por isso que, o seu nome ficará indelevelmente marcado no rodapé da história contemporânea deste país.

As causas por detrás da sua morte suscitaram muitas interpretações, todavia a maior parte delas ponderam que Cardoso foi morto porque representava uma grande ameaça contra a corrupção, a lavagem de dinheiro, o narcotráfico, o abuso de poder, o enriquecimento ilícito entre outros crimes. A maior parte desses males eram e continuam a ser protagonizados por pessoas ligadas ao poder politico e económico. Nesta ordem de ideias, em 2001, numa das suas passagens, um relatório do Comité para Protecção de Jornalistas, escreveu nos seguintes termos: “ Cardoso tinha sido morto por que era o único jornalista que tinha os contactos, a habilidade e a tendência para confrontar as elites no poder com provas sobre a sua própria corrupção”.

De lá para cá, passam nove anos. São nove anos de eterna saudade. Anos de ausência-presença. Anos de dor. Anos de nostalgia. Anos de frustração e de rancor por parte de seus familiares, amigos e muitos outros cidadãos que se revêem e se espelham em seus ideais, pelo que um simples julgamento e uma pena máxima contra os seus assassinos constituem uma insignificância para repor o vazio e o luto que ele deixou.

Entretanto, para além de dar que falar, a sua morte despoletou várias faces ocultas do sistema politico e economico de turno na época, como também pôs a nu muita podridão, outrora encobertas pelos mais eficazes métodos maquiavélicos. A partir daí, o país, demonstrou ao mundo, até à saciedade, a hipocrisia e a mentira por que sempre se regeu. Passou-se a conhecer na integra os indivíduos que ditam as regras do jogo, como também fez-se saber que, às vezes o estatuído na lei serve apenas para o Inglês ver tal como aconteceu com a liberdade de imprensa preconizada em principio na Constituição de 1990, Cardoso quis fazer o seu uso e logo foi morto.

Com a morte deste grande homem, Moçambique passou, cada vez mais, a ganhar lugar no grupo dos países mais corruptos do mundo e cresceu sobre si o número de pesquisas e investigações sobre actividades ilegais. Posteriormente, esses estudos pariram inúmeras exposições violentas que mancharam a nossa imagem no contexto das nações. Um deles foi em 2000 quando o famoso relatório da Agência Americana Anti-Drogas (DEA) que tinha aberto um gabinete na vizinha África do Sul, em 1997, para monitorizar o explosivo crescimento da indústria de narcóticos na região, reportou que Moçambique era um dos principais portos de entrada de drogas ilegais oriundas do Sudeste Asiático e, ainda segundo a DEA, a maior parte deste tráfico é, posteriormente, enviado para a Europa.

Assim, volvidos que são nove anos é necessário que novos Cardosos surjam para prosseguir com os ideais do primeiro. Moçambique continua a subir na lista dos mais corruptos entre as nações, a pobreza cresce, a exclusão social aumenta, as assimetrias regionais prevalecem, o tribalismo e regionalismo nos caracterizam, a partidarização do aparelho de Estado é o nosso modus vivendi, o país virou um suave Zimbabué e o aparelho de Estado um feudo gerido por gente individualista até ao nojo.

Em meu entender, as condições existem, mas faltam a coragem e estômago para tal, algo que persiste, devido a crónica mentalidade de defesa do pão, labebotismo e escovismo crassos que caracterizam muitos jornalistas deste país. Cardoso era destemido e mais do que isso foi um verdadeiro patriota, razão pela qual deu a sua vida pela pátria amada. Por tudo isso e muito mais, o seu nome continuará a inspirar gerações. Que a sua alma descanse na paz dos anjos e que Deus lhe perdoe as suas faltas!

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

AEU-UEM E OS CONTORNOS DA PALESTRA/CAMPANHA

Basta apenas um olhar desatento e superficial, em relação ao desempenho do actual elenco da Associação dos Estudantes Universitários da UEM, para chegar-se a conclusão errada de que este constitui o melhor grupo que já alguma vez presidiu os destinos daquela Associação. Foi nessa ordem de ideias que há um tempo publiquei alguns escritos a valorizar, elogiar e exaltar os feitos, aparentemente positivos da referida turma.

Hoje é claramente notório que, os dirigentes deste órgão, guiam-se pela táctica que consiste em turvar as águas para manipular a opinião estudantil e camuflar os podres que mantêm por detrás daquelas caras tipo anjinhos, ou seja, fingem que trabalham em prol dos estudantes enquanto no fundo são autênticos oportunistas e precursores do latrocínio que até agora, graças ao diabo, continuam a enganar-nos, inclusive de tanta habilidade conseguem granjear simpatias até da própria reitoria. Por conseguinte, em detrimento de bibliotecas, livrarias, museus e cultivar nos estudantes o hábito de leitura, dedicam-se a assinar acordos para obter descontos nas discotecas e outras casas de diversão. É por essa via que, quando deles esperamos a criação de debates e reprodução de ideias com vista a solucionar as crises que assolam o país, nos embriagam com festas estupidamente narcotizantes que prolificam ambientes propícios para o despontar de uma juventude adúltera, domesticada e mentalmente estéril, assim também uma geração de lacaios completamente desprovidos de senso crítico.

Na mesma óptica, no lugar de promover palestras científicas e académicas organizam campanhas eleitorais como aconteceu no passado dia 2 de Outubro. Alias, olhando para os contornos com que, o evento tomou, afigura-se certo afirmar, sem sombra de dúvidas que a sua realização foi oportuna, pois, apesar de voltarem frustrados e revoltados por terem sido servidos Gato ao invés de Lebre como antes foi anunciado, os estudantes/participantes disseram ter sido uma boa lição de vida e acrescentaram ter saído de lá mais lúcidos e libertos, doravante jamais serão enganados. “A máscara partidária da AEU acabava de cair naquele dia”, afirmam. Para mais informações sobre o evento, vide no Canal de Moçambique de 6-10-09 e no Magazine independente de 21-10-09, os debates em: http://comunidademocambicana.blogspot.com/search?q=AEU.

Com efeito, em resposta a fortes pressões internas e externas oriundas dos estudantes bem como de algumas faculdades que chegaram a ameaçar não colaborar com a associação por causa de tais patranhas e outras atitudes pouco dignas para pessoas que dirigem um órgão do género, o presidente da AEU, numa atitude nobre, mas forçada, deu a mão à palmatória e reconheceu o erro pedindo desculpas por via de um comunicado que agora pulula de canto em canto na Universidade e nas residências.

Entretanto, pelo sim ou pelo não, parecer que as coisas não andam lá muito bem na associação e a referida palestra constituiu a gota de água que precipitou os ânimos, ao avivar rancores ocultos que, por sua vez, deram a conhecer sobre a existência de graves problemas no seu seio. Segundo ficou-se a saber, AEU que outrora, em 1991, foi criada para servir os interesses dos estudantes, agora virou um clube de amigos e um verdadeiro feudo cujo objectivo é resolver problemas ligados à fome de uma pequena elite interna. Regista-se tambem sérios indícios de nepotismo e falta de transparência na gestão dos 60 meticais que os mais de 20 mil estudantes da UEM pagam anualmente para garantir a sobrevivência do órgão. Esta tendência vai ganhando forma devido ao espírito de falta de prestação de contas, propositadamente implantado por ali. Ligadas a tais incoerências, estão os frequentes desentendimentos e desatinos na tomada de decisões.
Neste capítulo, as fontes apontam que, desde Setembro de 2008 (época da tomada de posse), até agora, como forma de retaliação, três elementos chave da direcção geral abandonaram o órgão e a há pouco tempo se demitiram dois chefes sobejamente conhecidos pelas suas duras críticas aos desmandos ali instituídos.

Segundo esses relatos, além disso, no rol das discórdias constam algumas viagens desnecessárias, habilmente concebidas para esbanjar fundos. Tais actos são alegadamente protagonizados por pessoas que sintomaticamente ocupam os lugares cimeiros do poleiro. No mesmo diapasão, há indicações do uso abusivo e anti-racional de produtos doados para actividades académicas, ou seja, chega-se ao ridículo de cozinhar com a água mineral remanescente das palestras, para além de vendas ocultas de camisetes requisitadas para marchas estudantis como aconteceu na lufa-lufa de17 de Novembro de 2008.

Assim, alguns membros que ainda sobrevivem à intempérie tentam em vão batalhar para a realização da Assembleia-geral (que está para breve segundo os mesmos) tida como provável bóia de salvação, enquanto imploram a Deus, para que mande uma chuva de auditorias nas contas da associação, com vista a pôr a nu toda rapina que subjaz nas suas entranhas.

Enquanto tal não acontece o meu apelo vai direccionado aos nossos ilustres dirigentes para que levem a bom porto esta instituição que é de todos nós. Não convêm que os seus destinos estejam a mercê de jovens imaturos a sair da puberdade, sem espinha dorsal e um desenvolvimento integral, muito menos ainda sem audácia para se meterem nas mesmas causas históricas e heróicas pelas quais os nossos pais Eduardo Mondlane, Uria Simango, Samora Machel, entre outros deram para libertar este país.
Pensem nisso, contanto que não vos zangueis comigo, pois há entre vós algumas excepções a esta regra!
Tem a palavra o presidente!

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Os nepotistas…

Há um tempo quando escrevi sobre a incessante institucionalização do nepotismo nas organizações públicas e privadas do nosso país, muitos conterrâneos nacionais abordaram-me procurando saber sobre o significado da palavra.

Para satisfazer a eles e quiçá a outros com interesse no assunto, saibam que: morfologicamente, a palavra híbrida nepotismo é formada pelo radical nepote (do latim népos/nipote/nepõtes, que significa sobrinho/neto/descendente) e pelo sufixo nominal: "ismo" (do grego ismós, que significa "prática de").

Fontes clássicas indicam que a palavra nepotismo provém do baixo-latim eclesiástico: nepote, que significaria sobrinho do Papa. Deste modo, nepotismo significa a prática adoptada pelos Papas dos séculos XV e XVI em favorecer, sistematicamente, suas famílias com títulos e doações.
Contemporaneamente, o nepotismo é o hábito de favorecer alguém preferido pelos que detêm o poder. O Dicionário Michaelis, procurando incrementar o significado da palavra, indica, por extensão voluntária, que nepotismo é o "favoritismo de certos governantes aos seus parentes e familiares, facilitando-lhes a ascensão social, independentemente de suas aptidões. Portanto as pessoas que cultivam esse comportamento podem ser consideradas os nepotistas…

Note-se que, este pendor vem desde o século XV, inicialmente protagonizado pelos Papas, os mesmos que se presume serem indivíduos mais próximos de Deus (conforme nos ensina a Igreja Católica Romana) e confrades do seu filho, Jesus. Facto que, segundo a minha opinião, devia fazer-lhes agir com justiça e igualdade, pois que, tanto Deus como Jesus (segundo eles mesmos) são bons e jamais mensurariam as pessoas com base em graus de parentesco!

Como ficou acentuado na última abordagem sobre o assunto, cá entre nós, essa propensão tem logrado sucessos graças a insensatez dos nossos dirigentes e alguns “chefesitos” que ao sabor da sua obstinação passam por cima dos concursos públicos, empregam parentes e distribuem cargos de confiança a esposas, filhos, primos, cunhados e toda índole de afins que recolhem por aí.

Um dia desses um amigo dizia estar seguro de que seria aceite numa empresa porque, além de reunir os predicados exigidos, a entrevista tinha sido conduzida por um indivíduo de raça branca e estrangeiro. Dito e feito, dois dias depois, o mesmo foi contratado. A seguir ligou-me para provar a sua presciência e acrescentar que, aquele lugar não seria seu, se fosse entrevistado por um compatriota. Vejam senhores e senhoras a que ponto a situação chegou!? Será que temos que chamar gente de fora, até para ensinarem-nos a fazer entrevistas de emprego?!

Por exemplo, nos últimos dias há uma série de monitorias com vista a cobertura das eleições. Nisso, há indicações de que o grosso modo delas são feitas por clubes de amigos amadores e incompetentes que, daqui a um ou dois meses, em forma de resultados das mesmas, virão a público de boca cheia e a repetir até à náusea, o mesmo lugar comum de sempre: a Frelimo usou meios do Estado para a campanha eleitoral e que os órgãos de comunicação social públicos fizeram uma cobertura parcial, mesmo que isso não seja verdade, contanto que deleite os patrões das tais pseudo-pesquisas. Onde é que vamos parar a esse nível?

Por outro lado, um relatório recentemente publicado pelo Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), em Maputo, concluiu que a filiação partidária, o nepotismo e o amiguismo predominam como critérios de recrutamento para a função pública. Estima-se que o número de funcionários do Estado recrutados com base no mérito profissional se situe em apenas 13 porcento.

Que verecúndia! Mas nem tudo está mal, porque felizmente esses factos põem a nu a crescente hipocrisia “euforisada” nos discursos efusivamente proferidos em prol da unidade nacional e de igualdade de direitos e oportunidades para todos. Fiquem de olhos compatriotas, há nepotismos crassos em tudo quanto é canto no país, sendo talvez por isso que, as nossas instituições carecem de porte suficiente para gozar de alguma credibilidade, aqui e além fronteiras.

PS. Rui Lamarques acabou de criar um novo blog. O mesmo chama-se “A putanizacao da nossa espécie”. Portanto é uma referência certa para aqueles que gostam de percorrer escritos feitos com um alto grau de lucidez. Sendo assim convido-lhe a espreitar a nova janela e faça-o com gosto e como quem mastiga, asseguro que não irá se arrepender…
Eis aí o site:
http://frontalidade-xigono.blogspot.com/

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

A “PRAGA” DA PARTIDARIZAÇÃO DAS RESIDÊNCIAS UNIVERSITÁRIAS

“...A filiação partidária, o nepotismo e o amiguismo predominam como critérios de recrutamento para a função pública. Estima-se que o número de
funcionários do Estado recrutados com base no mérito profissional se situe em apenas 13 porcento…”

Este excerto pode-se ler num relatório publicado na quinta-feira, 16.07.09, na capital do país pelo Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP) assim como numa notícia do jornal A TribunaFax do dia 20.07.09, assinada por Matias Guente a propósito da frequente partidarização do Estado em Moçambique.

A leitura deste documento fez-me lembrar o actual cenário que caracteriza os estudantes nalguns lares universitários de Maputo. Uma situação típica da corrida aos armamentos protagonizada pelos países europeus nas vésperas das duas grandes guerras mundiais, como documenta a história universal. Só que, no caso presente, trata-se de uma febre aos partidos políticos rumo às eleições de Outubro.

Na minha modesta opinião, penso não ser mau, nem condenável, o acto das pessoas aderirem aos partidos políticos, sejam eles quais forem. Aliás, cada cidadão é livre de o fazer nas condições em que bem entender, contanto que, não seja de forma exasperada, como acontece nos últimos dias nessas casas onde a situação chega a confundir-se com uma autêntica praga.

Embora reconhecendo o papel crucial que os partidos políticos jogam numa sociedade democraticamente salutar, considero-os, autênticas pedras de tropeço e, por isso, sérios obstáculos para a emergência de uma classe mentalmente critica. Basta reparar para o espírito de subserviência, letargia e falta de investigação científica a que os nossos intelectuais ao serviço dessas organizações estão submetidos.

Ora, pouco sei sobre a história politico-partidária das residências universitárias, entretanto, nos últimos anos, fui-me informando através de várias fontes de que, os lares também não escaparam aos famosos programas de disseminação e criação de células em tudo quanto é canto no país, promovidos pela Frelimo. É por isso que, não constitui “pecado” algum falar desse partido nas residências como acontece quando se faz menção de outros. O que não quer dizer que as perdizes, os pangolins, e os galos não tenham simpatias nesses meandros.

Assim, com o surgimento do MDM e a proximidade das eleições, a maratona está atingir níveis de alta competitividade, transformando os recintos em verdadeiras arenas de disputas eleitoralistas e partidárias em que cada organização passeia a sua classe com promessas sem entranhas de honestidade e argumentos habilmente concebidos para sacar o voto dos estudantes.

Segundo fontes dos locais, muitos estudantes nutrem simpatias pelo MDM. Conta-se que num desses domicílios, o número de estudantes/simpatizantes chega a atingir 70 porcento das mais de quatro centenas que vivem por ali. Outros dados dão conta que, na residência universitária número 1 da UEM, cada piso, num universo de 8, possui uma célula da Frelimo a trabalhar com unhas e dentes para recolher cada vez mais, novos membros.

Este clima confirma as teses que denunciam a falta de empenho académico por parte dos estudantes nos últimos momentos. Longe se vão os tempos em que as residências eram verdadeiros centros de debate, onde uma grande diversidade de seres humanos pensantes confluía os seus diversificados conhecimentos e visões com vista a produção cientifica em prol do desenvolvimento da pátria.

Nesta ordem de ideais, muitos compatriotas questionam: Porque os estudantes precipitam-se aos partidos políticos?

E na mesma linha, outros respondem: esse comportamento é na maior parte justificado pela tentativa de salvaguardar uma sobrevivência estomacal segura no futuro. Os nossos doutores do amanhã tencionam evitar as experiências amargas de desemprego e miséria, cuja maior parte dos seus antecessores ficou votada depois das licenciaturas.

Por outro lado, sublinhe-se que muitos desses jovens são provincianos e quando terminam os seus cursos enfrentam várias barreiras para encontrar um reduto que lhes dê sustento, crises essas, que impedem a sua auto-afirmação como humanos em estado de maioridade.

Segundo a realidade no terreno, as dificuldades tem em parte a ver com a crescente partidarização do Estado moçambicano, exclusão social, a institucionalização do nepotismo e clientelismo nas organizações público-privadas, entre outros, como refere o supracitado relatório.

Portanto, o mais caricato nisso, é o facto da maior parte das vezes, os estudantes não gostarem da situação. Todavia suportam, gritam de forma efusiva e hipócrita todos os vivas requisitados no partido. Uma atitude indigna que os faz cada vez mais marionetas e cidadãos alienados.

É caso para dizer que estamos diante duma geração rasca e a reboque dos partidos políticos. Algo que não é saudável para o tipo de filhos que a nossa pátria amada necessita! Portanto, pensem nisso. Saudações académicas a todos os estudantes espalhados por este solo pátrio.





quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

ATENÇÃO
Vem ai O Campus
.

Ilustres senhores,
O blog O PATRIOTA
http://www.felixesperanca.blogspot.com/ na pessoa do seu criador-gestor anuncia-vos em primeira-mão a chegada nos próximos dias, de uma publicação estudantil que vai se debruçar sobre temas da actualidade, ligados ao dia-a-dia dos milhares de estudantes espalhados, nas várias instituições de ensino superior e não só, em Moçambique.

Trata-se dum jornal mensal, tablóide, com 32 páginas coloridas e com uma tiragem de 20 mil exemplares que serão distribuídos gratuitamente em todas instituições de ensino superior do país. Nesse desafio pretende-se abordar varias questões sobre saúde, desporto, educação, cultura entre outros campos que interessam o nosso público-alvo. Tudo isso será trazido por meio de reportagens, noticias, crónicas opiniões etc.

E, por ser uma publicação concebida por e para estudantes agradecíamos a colaboração de todos. Mande-nos assuntos que acontecem na sua instituição e nós publicaremos. O objectivo do campus é trazer as inquietações, anseios, sonhos e aspirações da classe estudantil. Numa só palavra diríamos que pretendemos ser porta-vozes de toda classe académica do país.

Desde já, ficamos por aqui, na expectativa de que o convite foi lançado.

SEJA O NOSSO REPORTER NA SUA INSTITUICAO.
Para mais informações, ligue: 82 4000829 ou envie um E-mail fdaesperanca@hotmail.com, felixesperanca@gmail.com

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

QUE INFLUÊNCIAS A JUVENTUDE TEM NAS DECISÕES DO PAÍS?

Esta foi a questão que polarizou o programa televisivo “Debate da Nação” da STV, na terça-feira 21 de Julho de 2009, na ocasião, efusivamente moderado pelo jovem jornalista Arsénio Henriques.

Um dos denominadores comuns a todos estes programas é a grande presença de um público heterogéneo. Pululam por ali pessoas de várias índoles. Uns lúcidos e equilibrados, outros agressivos e nervosos.

Estes últimos vão ao programa, não para contribuir de forma salutar, mas com o intuito de despejar as suas dementes opiniões, típicas de palradores-banais e ignorantes.

Embora semelhante a todos outros, o debate da nação da terça-feira não deixou os seus créditos em mãos alheias. Vimos por ali uma plateia e auditório riquíssimos que, através de variadas observações iam nos brindando diferentes pontos de vista, trazendo sabor e vida ao tema em questão.

E porque é sempre assim em programas daquela natureza, estiveram lá jovens obcecados pelo ”politicamente correcto” e outros não. Todavia, defendendo ou não o politicamente correcto, a verdade manda dizer o seguinte: A juventude moçambicana não tem influências nas decisões do país.

E, este cenário está aliado a vários factores, tendo um deles, a ver com a crónica letargia que afecta a nossa geração, somos uma juventude que assiste impávida e serena o desenrolar das coisas no país.

Quem não sabe que a única preocupação do jovem actual é trabalhar para comprar um carro, vivendo numa casa em arrendamento e passar o resto dos seus dias a beber?

Os jovens mais atentos às dinâmicas do país, precipitam-se a aliar-se aos partidos políticos pois que, é neles onde vêem a bóia de salvação e a solução dos seus problemas. Gostando ou não do partido, estão lá a engolir sapos, contanto que, não lhes esqueçam na hora dos tachos, ou um espaço no poleiro de uma associação juvenil qualquer.

A frequente febre de aquisição dos cartões amarelos, cor-de-rosa, vermelhos, pretos entre outros é a prova mais cabal disso. Como é que o jovem vai esforçar-se em estudar e trabalhar, se a priori já sabe que o mais importante que isso é usar máscaras e gritar vivas ao partido, assim como dominar a ciência do lamber botas.

Por outro lado, a crescente mediocridade tacanha, que se espalha pelo país fora contribui em grande parte nesse sentido. Somos arrogantes, porém ignorantes. Como ­se justifica que uma figura daquelas que, se auto intitula mais patriota que os outros, tenha dificuldades em dizer quem foram os signatários dos acordos de paz?

Vendo as coisas dessa forma, presumo ser difícil a juventude ter influências nas decisões do país porque isso pressupõe também, o conhecimento, pelo menos, de forma superficial sobre pouco da nossa própria história.

Ao dizer que, quem assinou os acordos de paz em Roma foram Guebuza e Dhlakama é um erro grave e até certo ponto crasso quando tal ignorância vem da boca duma pessoa como Mc Roger.

Não é verdade que os jovens já estão a decidir neste país, como mentirosamente quis nos convencer um dos participantes do debate. O número de jovens que estão nos centros de tomada de decisões é ainda insignificante.

Além disso, esses jovens só estão lá e não resolvem os problemas da maioria, vegetam nesses conclaves justamente para fazer valer os seus interesses pessoais e estomacais.

Portanto, é uma utopia pensar que esta geração está ter influências nas decisões deste país, porque isso não será fácil enquanto prevalecer um conflito de gerações tão crónico como este que actualmente impera.

Os nossos dirigentes não estão interessados em ter a juventude como parceira na tomada de decisões. Eles têm consciência do papel que a juventude joga para operar mudanças e o estilo de vida de uma nação. O que acontece é que os nossos governantes estão acomodados e gostam da vida que levam.

Sendo assim, quanto mais jovens preguiçosos, dorminhocos e amorfos Moçambique tiver, melhor para eles que pretendem pagar as favas do sofrimento nas matas, no tempo da luta de libertação nacional. Ou pensam que as declarações do general Hama Thai dizendo que: A juventude pode vender o país, vem ao acaso.

Pensem nisso!

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

DOIS PEIXES COM LEGUMES

É a terminologia que tem sido atribuída ao novo comercial que a CNE está passar nas rádios e televisões nacionais, visando persuadir as pessoas no sentido de afluir em massa as eleições de Outubro.

É também o título que Sebastião Mbeve escolheu para o seu artigo que, pulula nos meios de comunicação social alimentando, dessa forma, o debate dos últimos dias na praça.

Para melhor situar os meus leitores, recorram ao jornal Magazine Independente de 15.07.09 na sua página 08, como também, ao endereço http://www.debatesedevaneios.blogspot.com/

A CNE está de parabéns, por cumprir com o seu dever de promover a educação cívica. Segundo o meu ponto de vista o comercial apresenta um conteúdo bastante bem elaborado, um sentido de humor maravilhoso, assim como um objectivo visivelmente claro: combater as abstenções nas próximas eleições.

Todavia, como a nossa sociedade está cada vez mais pejada de gente atenta e palradores-banais prontos para criticar e deixar ficar as suas dementes opiniões, o trabalho da CNE viu-se mais uma vez conotado com os interesses do partido no poder, no caso concreto a Frelimo. Tudo por causa de um suposto fundo vermelho.

Ora, está claro que, devido ao estado medíocre da nossa democracia, mais do que discursos e enrolamentos, as eleições nunca trazem nada de concreto para a vida da população. Tal é o caso do lustro que termina: falou-se muito e fez-se pouco. Faz tempo que, os nossos governantes deixaram de trabalhar para o povo.

As grandes conquistas que os discursos oficiais anunciam não se traduzem no prato do cidadão pacato. Muitos moçambicanos vivem ao-Deus-dará, entretanto quando sintonizam o rádio ouvem o PR no parlamento a afirmar que, o estado da nação é bom. Um paradoxo crasso.

Por isso e por outras patetices o povo está farto, daí não vê razão para continuar a votar nas mesmas pessoas que mentirosamente lhes promete dias melhores. O povo prefere abster-se das eleições.

Ciente dessas abstenções, a CNE pretende resgatar o voto das massas e convence-las a afluirem `as urnas de votação. Por isso, meu caro Mbeve, nada a mais e nada a menos, segundo a leitura que faço, Dois peixes com legumes enquadra-se nesse objectivo.

Porém, visto que, cada cabeça é uma sentença e cada um vê nas coisas aquilo que quer ver, só devemos respeitar a pluralidade de ideias. Já dizia uma figura que abrilhantou a antiguidade clássica com os seus dotes retóricos e sofísticos: O Homem é a medida de todas as coisas – refiro-me a Protágoras.

Portanto os argumentos Mbevistas podem estar certos até esse ponto, mas doutra forma presumo que se trata de procurar problemas onde não existem. Sendo assim deixemos a CNE trabalhar `a vontade.
felixesperanca@gmail.com